Desate o nó
num desatino; um desafio.
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Estrelas

Category: , , By Diego Paulino
- Você consegue ver isso, Rocco?
- O quê? - eu perguntei, olhando para onde ela apontava com os dedos.
- Essa imensidão, Rocco!
- Você fumou algo hoje, Lou?- eu disse, eu tom de ironia, por que sabia que ela não fumava nada.
Estávamos lá, deitados no gramado de uma colina desde a tardezinha, e agora as estrelas começavam a apontar no firmamento, as olhavamos, simplesmente olhavamos, gostávamos de ficar ali ouvindo a respiração um do outro, aquilo me acalmava. Ouvi-la respirar; respira...expira...inspira...ah...
- Claro que não fumei, você sabe que não gosto dessas coisas!Mas, Rocco, olhe para tudo isso, para essas estrelas! - ela sentou-se no gramado - olhe, somos tão pequenos, tão insignificantes em relação a tudo isso!
- Realmente, Louise - eu me sentei também - Somos insetos em relação a essa magnitude - aprendi essa palavra hoje - Somos tão pequenos, tão, tão microscópicos!
- Pois é, Rocco...
- Sabe, Lou, eu acho que nós, humanos, não devíamos estar nesse mundo.
- Porquê?
- Nós detruímos tudo, desde que descobrimos a pólvora só sabemos guerrear,só sabemos atear fogo em qualquer coisa que achamos que é inflamável. Nós queremos tudo, somos seres movidos pela ganância - Com a mão direita, fiz um gesto, como se estivesse com a Lua na palma de minha mão.
- ...
- Isso me revolta! Às vezes sinto ojeriza, por ser humano!
- Calma, Rocco, lembra-se do assunto principal, as estrelas?!
- O ser humano é uma experiência, que, definitivamente, não deu certo.
- Rô...
- O que foi, Louise? - Disse rispidamente, pois ainda estava sobe o efeito da raiva repentina
- Eu te amo. Tanto! - sussurou
- Idem...
- Look at the stars, look how they shine for you, and everything you do!Yeah, they were all yellow! - Ela começou a cantarolar, levantou-se de vez e estendeu os braços, como se quisesse ser levada pela brisa
- Louise...- eu me levantei - você e suas músicas - eu disse, calmo, ignorando seu inglês.
- Shiiu- ela se aproximou e pôs o dedo indicador em meus labios, duma forma carinhosa.

Daquele momento em diante iríamos falar outra língua, a dos amantes.

"Your skin
Oh yeah, your skin and bones,
Turn into something beautiful,
Do you know?
You know I love you so,
You know I love you so!
(...)
It's true, look how they shine for you..."



Ps- estava com saudade de escrever contos, ou crônicas. Enfim!
 

Crer ou não crer? Eis a questão.

Category: , , By Diego Paulino
Deus, Destino e Livre-arbítrio: três palavras impossíveis de serem usadas numa mesma frase sem causar contradições.

Pra começar, as pessoas recorrem a Deus por qualquer coisa, e, quando não recorrem pro Chefão-mor do Céu, vão para seus subordinados: os santos. Tem santo pra tudo quanto é coisa: causas perdidas, casamento, dinhero, doença, mega-sena, computador quebrado, gripe do cachorro, etc.
Mas se paramos pra pensar no porquê disso, entramos em um labirinto:

Se uma pessoa reza pra Deus pra curar a enfermidade de alguém, incoscientemente esta pessoa crê que Deus tem uma pontinha de culpa na doença em questão, que Deus escolheu aquela pessoa pra ficar doente, não é?Falando assim, pode soar meio estranho, e , talvez, forte, mas é a pura verdade. E não sou quem diz, isso é filosofia.

Segundo: Se Deus pode mandar e desmandar quando eu fico doente ou não, quer dizer que eu não tenho livre-arbítrio, pois, pelo que eu saiba, livre-arbítrio é eu fazer o que eu bem entender de minha vida. Mas então, pelos padrões do Deus-mandão eu vou ficar doente por que não fui um garoto bom, e não por que eu não lavei bem as mãos antes de comer.

Terceiro: Destino. Não gosto de acreditar em destino,prefiro não acreditar em destino; pois sou a favor do livre-arbítrio, não creio que alguém nasça pré-disposto a algo. Não creio que haja uma força que nos guie para os caminhos errados ou certos. Acredito, sim, que cada um tem o poder de escolha; de tornar a sua vida no que bem entender. Deus não interfere na vida dos humanos, não somos como um jogo gigante de xadrez onde ele mexe as peças de maneira que Ele bem entende. É mais como um filme, onde tudo acontece sem ninguém interferir.
Em suma, o destino é a grande desculpa da humanidade; quando dá algo errado em nossas vida é muito mais cômodo falar: 'não era pra ser meu.' 'Deus quis assim.' 'Vai chegar minha hora.' À assumir que você é humano e é errante. Errou? Levante e Ande. 'Temos duas pernas pra poder seguir em frente'

Lendo isso, talvez dê a impressão que eu seja ateu. Na verdade, eu não sei o que sou, não sei se acredito ou não.
Como a maioria dos habitantes do maior país católico do mundo, eu era dessa religião. Mas, depois de começar a estudar história e ver as atrocidades da igreja no passado, me desliguei dela.
Depois disso já me intitulei agnóstico, mas, hoje, não mais. Prefiro dizer que não sei.
Dentre todas idéias de divindades, a que mais me agrada faz parte dos conceitos orientais, aqueles que dizem que Deus ou O mundo ou O universo ou A verdade ou Tudo ou Nada ou O cosmos é uma coisa só: Tudo está intrelaçado duma forma tão complicada que é invisível à olho nu. Eu sou Deus, Deus sou eu, as pessoas são seus próprios deuses. Eu sou essas letras digitadas, eu sou cada ponto, cada acento, cada vírgula que digo. Eu sou tudo ou nada. O Tudo é uma coisa só, não há divisão. E o mais incrível disso, é que estamos inclusos nesse fluxo de magnitude inenárravel, fazemos parte disso, somos isso.
Tampouco, não existe um ser onipotente, onisciente e onipresente que controla nossas vidas como num jogo.(lembram-se do Xadrez?)Se fosse assim, Deus seria o cara mais egoísta que jamais conheci e o mundo seria um lugar equilibrado, previsível e chato. Se fosse assim, guerras não existiriam, não existiria fome, catastrófes e desigualdades no mundo; Mas o mundo não é assim, ele é torto! Por isso que é emocionante e radical. A vida é um esporte radical, dos mais perigosos, por sinal...

O Post já ficou grande demais pro meu gosto, e eu ainda continuo com a sensação de que esqueci de algo, talvez retome esse assunto mais pra frente.... Ou Não.
Enfim, é sempre bom lembrar que não estamos presos a religiões, padrões e paradigmas como a Terra está presa à sua órbita ao redor do Sol. Somos seres pensantes, é sempre bom ter seu ponto de vista. Somos humanos logo questionamos. Não se reprima: pergunte, questione, critique. Faz Bem.

playList: The killers, Engenheiros, Los Hermanos e Velhas Virgens.
 

Criticando

Category: , , By Diego Paulino
Se na ditadura o Brasil passou por um de seus períodos mais sombrios, onde pessoas simplesmente sumiam nos porões do governo opressivo, e familiares, amigos, desconhecidos ou mesmo rebeldes sem-causa clamavam pela anistia, pelo perdão daqueles que defenderam seu ponto de vista, que não se influenciaram com idéias alheias, que foram da chamada “contracultura”; hoje passamos pela ditadura econômica que as superpotências nos impõem.
Somos totalmente dependentes dos ditos países de primeiro mundo, de seu capital – se uma borboleta bate as asas de uma maneira diferente lá, no “mundo desenvolvido”, aqui, no “submundo”, pode-se até gerar um furacão. Chega a ser ridículo.
Há também quem diga que é impossível se livrar dessa situação. Onde manda quem pode; obedece quem tem juízo. Enfim, sem delongas, entre o Brasil de ontem – de censuras, exílio, torturas – e o de hoje – dos paraísos fiscais, metróploes e desigualdades sociais – prefiro o Brasil do amanhã, o que está por vir, que nem maneira de nomeá-lo há, pois o que eu desejo ainda não tem nome – só para citar Lispector.

 

Fluxo de indiferença.

Category: , By Diego Paulino
É estranho como o ser humano não é mais humano.
As pessoas se distanciaram uma das outras, de tal maneira que parece que vivemos em um mundo onde cada um é de uma espécie diferente e indiferente.
Quando chegamos em algum lugar novo, estranho; nos camuflamos, vestimos uma máscara, é uma forma de autodefesa: se você está com um sorriso no rosto, ele é tirado; se está andando calmamente, apressa o passo. Age como a multidão, somos levados pelo fluxo. Tudo para ficar igual aos outros, e ninguém notar que você é um estranho no ninho.
As pessoas trombam, se esbarram e nem se dão conta!
Todos tocam-se mas não sentem-se.
Todos olham-se mas não enxergam-se.
Todos estão vivos, mas não vivem.
Todos estão ali, indo de um lado para o outro como formigas frenéticas...

É incrível como de seres humanos passamos a insetos.
 

Inconformismo

Category: , , By Diego Paulino

Diferente dos textos que escrevo, hoje vou desabafar. Cuspir todo inconformismo, repugnância, ojeriza e sinônimos que tenho com a prefeitura de minha cidade.
Pra começar, a prefeitura da Ilustríssima Cidade de Leme, Interior de São Paulo, tem um lindo projeto pra inglês ver, no qual eles fecham convênio com alguma escola que oferece cursinho pré-vestibular e dão 100 bolsas para alunos que passarem num concurso.
Eu fiz essa prova, passei. Aliás, nem tinha como não passar, a prova era ridícula. A avaliação tinha a duração de 3 horas, eu a fiz em 50 min, e ainda passei em 26°.
Uma semana depois, eu fui à assistência social, pra ver o resultado da tal prova, a surpresa: Meu nome não estava na lista de classificados, mas como?
Fui conversar com a responsável pelas inscrições e essas foram as palavras daquela mulher: " Meu bem, você passou, mas foi desclassificado pela sua renda, ela ultrapassa o limite em 200 reais"
Eu fiquei perplexo, mesmo com uma ótima colocação, levando em conta o total de bolsas oferecidas, eu perdi a minha vaga por ganhar 200 reais a mais? Eu corri atrás dos meus direitos, aleguei que, se me deixaram fazer a inscrição para o tal concurso, eu já estava pré-selecionado (por que eu tive que apresentar minha renda no ato de inscrição). Ninguém me entendeu, e ainda insinuaram que eu estava mentindo, e que eu devia ter mentido sobre a renda.

Ô Brasilzão esse nosso! Tudo funciona à base da mentira! Mas, mesmo com toda essa confusão, eu consegui tirar algumas conclusões:
- Não seja honesto, pelo menos no Brasil. Ou melhor, em Leme.
- É crime ter um pouco a mais, ser honesto e relativamente inteligente
- Nasça miserável e burro (ou finja ser). Você conseguirá tudo o que quer.
- Nunca corra atrás de seus direitos. No final, insinuarão que você é um mentiroso.

Desfecho: Eu não vou fazer meu curso de inglês por que tenho que pagar o cursinho, mas uma coisa é certa, eu vou dar o meu máximo nessas aulas. Não vejo a hora de passar na faculdade e dar o fora de Leme.

 

Category: , , By Diego Paulino
Onde estão os caras que diziam que a guerra ia acabar?
Onde estão os caras que diziam que a maré ia virar?
Eles garantiram que Freud explicava tudo...
Onde estão os sobreviventes daquele mundo?
Onde estão os caras que usavam palavras precisas
pra nos livrar da tirania do mal?
Aonde estão os filhos da revolução sexual?
¿donde están los herderos de la falacia liberal?
Onde estão as provas, onde estão os fatos?
As boas novas eram só boatos?
Onde estão os caras que lutavam e cantavam?
Por um mundo ideal se peguntavam:
Onde estamos nós?

( Segunda- Feira Blues II - Engenheiros do Hawaii)