... que pelo menos tentei. Cheguei ao meu limite.
"E se eu for o prmeiro a prever e poder desistir do que for dar errado?
Ah, olha, se não sou eu, quem mais vai decidir o que é bom pra mim?
Dispenso a previsão...
Ah, se o que sou, é também o que eu escolhi ser...
Aceito a condição.
Vou levando assim, que o acaso é amigo do coração, quando falo comigo
Quando sei ouvir..."
Eu sei que é pro meu bem. Eu sei que será melhor pra mim. Eu sei de tudo isso.
Mas mesmo assim ainda tenho aquele buraco no peito, aquela dor inenarrável que crava, que se enterra no chão dessa cidade do interior de Sao Paulo, e repete, como um eco 'não vá'.
Eu sei que tenho que me desapegar, eu sei que é isso que eu quero.
Mas o buraco, os ganchos, a (sub) consciência tem medo. Sinto medo. Medo de perder, de errar, de largar tudo pra trás. Medo de perder tudo...E
todos.
Tenho a sensação de que sou um animal lutando contra os seus próprios instintos. É horrível, é ruim sentir isso...É angustiante.
"It's just another day, nothing in my way
I don't wanna go, i don't wanna stay
So there's nothing left to say?"
- Você consegue ver isso, Rocco?
- O quê? - eu perguntei, olhando para onde ela apontava com os dedos.
- Essa imensidão, Rocco!
- Você fumou algo hoje, Lou?- eu disse, eu tom de ironia, por que sabia que ela não fumava nada.
Estávamos lá, deitados no gramado de uma colina desde a tardezinha, e agora as estrelas começavam a apontar no firmamento, as olhavamos, simplesmente olhavamos, gostávamos de ficar ali ouvindo a respiração um do outro, aquilo me acalmava. Ouvi-la respirar; respira...expira...inspira...ah...
- Claro que não fumei, você sabe que não gosto dessas coisas!Mas, Rocco, olhe para tudo isso, para essas estrelas! - ela sentou-se no gramado - olhe, somos tão pequenos, tão insignificantes em relação a tudo isso!
- Realmente, Louise - eu me sentei também - Somos insetos em relação a essa magnitude - aprendi essa palavra hoje - Somos tão pequenos, tão, tão microscópicos!
- Pois é, Rocco...
- Sabe, Lou, eu acho que nós, humanos, não devíamos estar nesse mundo.
- Porquê?
- Nós detruímos tudo, desde que descobrimos a pólvora só sabemos guerrear,só sabemos atear fogo em qualquer coisa que achamos que é inflamável. Nós queremos tudo, somos seres movidos pela ganância - Com a mão direita, fiz um gesto, como se estivesse com a Lua na palma de minha mão.
- ...
- Isso me revolta! Às vezes sinto ojeriza, por ser humano!
- Calma, Rocco, lembra-se do assunto principal, as estrelas?!
- O ser humano é uma experiência, que, definitivamente, não deu certo.
- Rô...
- O que foi, Louise? - Disse rispidamente, pois ainda estava sobe o efeito da raiva repentina
- Eu te amo. Tanto! - sussurou
- Idem...
- Look at the stars, look how they shine for you, and everything you do!Yeah, they were all yellow! - Ela começou a cantarolar, levantou-se de vez e estendeu os braços, como se quisesse ser levada pela brisa
- Louise...- eu me levantei - você e suas músicas - eu disse, calmo, ignorando seu inglês.
- Shiiu- ela se aproximou e pôs o dedo indicador em meus labios, duma forma carinhosa.
Daquele momento em diante iríamos falar outra língua, a dos amantes.
"Your skin
Oh yeah, your skin and bones,
Turn into something beautiful,
Do you know?
You know I love you so,
You know I love you so!
(...)
It's true, look how they shine for you..."
Ps- estava com saudade de escrever contos, ou crônicas. Enfim!
Onde estão os caras que diziam que a guerra ia acabar?
Onde estão os caras que diziam que a maré ia virar?
Eles garantiram que Freud explicava tudo...
Onde estão os sobreviventes daquele mundo?
Onde estão os caras que usavam palavras precisas
pra nos livrar da tirania do mal?
Aonde estão os filhos da revolução sexual?
¿donde están los herderos de la falacia liberal?
Onde estão as provas, onde estão os fatos?
As boas novas eram só boatos?
Onde estão os caras que lutavam e cantavam?
Por um mundo ideal se peguntavam:
Onde estamos nós?
( Segunda- Feira Blues II - Engenheiros do Hawaii)
Mais um gole daquela bebida barata que ele nem lembrava mais o nome, só sabia que era barata.
Mais um refrão da música triste que insistia em chegar aos seus ouvidos.
Mais uma forma de fugir da realidade.
Ele jurara pela quinta vez que aquela seria a ultima . Nunca mais iria àquele boteco de quinta embriagar-se, encararia a vida dali para frente duma forma sã.Não afogaria mais suas mágoas em litros e litros de álcool, já estava enjuado e enojado daquela situação clichê que os fracos viviam rotineiramente...
- Mais uma dose, Garçom!
Mas essa remodelagem de hábitos poderia esperar um pouco mais, ele era fraco, tinha de admitir. Sabia que era fraco; uma dose a mais, uma a menos, não faria diferença alguma.
"Não me leve a sério, não me leve a mal, me leve para casa.
Eu sou um bom rapaz, eu só bebi demais, preciso ir pra casa."
E Gessinger ainda continuava com aquele refrão maldito ao fundo do boteco.